segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Raros os trocos no bolso roto
Que saltam no vazio,
Onde eu meto a mão e o coto
E só sai galinha sem pio.

Os bolsos rasgados do uso,
Os meus que são só dois
E nem à linha os coso:
Inútil é a carroça sem bois!

Servem os bolsos para tanto,
Só os meus não guardam utilidade,
Apenas alojam o pranto
A mais um pobre desta cidade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Não quero ser de ninguém
Só quero ser meu,
Ser raptado e refém
Da incredibilidade do ateu.

Quero ser, nada!
Esquecimento do mesmo,
Uma memória esquecida
Da lembrança onde tremo.

Vago, eu, assim!
Me sinto e estagno…
No pouco que sou de mim
Na fronteira do signo.

Só isso, um murmúrio.
Quero não ser de ninguém,
Andar só na solidão do vadio
Deste mundo ao além.
Há coisas sem sentido
Buracos negros sem fim,
Como há coisas que insisto
Numa dor só de mim.

E creio que perdido
Ando ainda pouco ruim,
Dai, vou e persisto
Naquilo que já deu fim!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O poeta vem da mágoa
A respirar sob a água,
E do amor platónico
No impulso supersónico.

O poeta vive do choro
E do amor distante,
Na solidão do meteoro
E da sua vida errante.

Ser poeta é não o ser
Sem o fingir.
É querer o amor e não querer.
Ser poeta é apenas sentir…
Não quero saber porque acabou
Nem tão pouco para onde vou,
Só quero ir com os meus ossos
Sem carregar quaisquer remorsos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Volve o dia, outro dia.
Vem nos braços da claridade
A luz da alegria.
Mas o Sol trás a saudade
Da sombra do teu perfil...
És Lua na noite de mil
Estrelas delineadas
E, estão no céu iluminadas
Olhando-nos assim
As estrelas de um céu sem fim…
Acreditar cego no infinito,
Negros olhos os fito,
Olhos amarrados ao suspiro
Do corpo celeste que admiro.
E assim acaricio
As noites dentro a fio
E as baladas de horas
Nas faces que coras.
São noites quentes!
São órbitas sorridentes!
É o brilho momentâneo
De um sorriso de recreio,
Saudade da noite a brincar
Que na tua face ouso enlevar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os desígnios da providência

Quantas almas tem pobres o meu mundo,
perdidas em si mesmas, gritando do fundo
da miséria a que o destino as lançou?
Almas pedintes que a pobreza escravizou
sem lágrima de remorso, nem piedade.
Munida da indiferença de tanto abade
cava valas comuns, sepulta a fé do vivo,
arrasta os corpos um a um sem crivo.
E, tombam os moribundos no infortúnio
a que Deus providenciou como desígnio.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Reflicto na pausa do ser
Em devaneio com o estar
A ir na vista do parecer
No meu cérebro por limar

Dou voltas e voltas, soltas.
Eu ando por lá em fixação
Transporto-me nas voltas,
Levo o meu ser em migração

O meu migrou, eu fiquei
À espera da sua boleia
Sentado imóvel esperei
Como um preso na cadeia

As grades que não corto
são a vigia desta prisão,
Que me isola a um canto
No espaço exíguo da razão

Encaro uma fuga perfeita
Nestas folhas que rabisco
Porque é onde me ajeito
A tentar uma fuga de risco!
Um homem nu pelo tempo
Passou, pisou, evoluiu…
O mundo já não é como ele o viu
Um simples passatempo

Da pedra dura achou o tronco
E o acaso deu o lume,
Até isso, era um ser bronco
A isso a historia o resume

A pré-historia selvagem findou
Mas não os seus impulsos,
A Humanidade alguns guardou
Para as vezes os soltar a soluços

Ó moderno Animal de fato
Que coexistes hoje em dia
Porque insistes no facto
De ainda víveres em selvajaria?!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009