quinta-feira, 29 de maio de 2008

Poema ao meu avô


Que se perpetue no tempo estes versos
Impressos neles estão velhas memórias
Dedicatórias que são valiosos tesouros
Lembranças vivas das tuas histórias


Guardo com saudade eruditas palavras
Alicerces pessoais, pedras que elevaram
Um puto traquina a saber as respostas,
Princípios colhidos que de ti brotavam


Ensinaste a fazer o caminho que percorro
Dentro de mim corre, numas jovens veias
Os ensinamentos sensatos que me socorro,
A desembaraçar-me das correntes teias


Ou as brincadeiras de um tempo passado
Alegres momentos, correrias sem parar
E no dominó e na bisca tudo tão animado
De um velhote sempre disposto a brincar


E as expressões, engraçadas de escutar
Ou os ditados citados frequentemente
Como: “O comer e o coçar vai do começar”.
Ah, Erudito velho que viveu humildemente


De uma presença enorme e galante
As senhoras derretidas pelos gestos
De um homem sempre bem-falante
Absorvidas nos seus olhos cinzentos


E esse chapéu que agarrava a calvíce
Sua habitual e ilustre companheira
Camaradas e colegas da malandrice
Troçando com quem usava cabeleira


Ilídio Augusto, um velhote simpático
Que Lacerda tinha em seu apelido
Era o nome de Homem carismático
Foi meu avô, o velhote mais querido.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Ensejos de ternura

Escuta as minhas palavras que são meigas
Dá lhes a mão com ternura neste tempo,
Amigas nos momentos em que acreditas
É a necessidade, faz dela um passatempo

Descansa sereia nas linhas da palma da mão
Eu no sossego que os meus dedos descobrem
A desenhar o teu corpo perfeito com afeição,
Cremos os dois e nossas almas enlouquecem

Escuta a saliva da palavra que transporta
A meiguice e o conforto que te entrego,
A ternura do gesto é a chave da tua porta
O meu tacto será o guia de um amor cego.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Que mais pedes?

Pedes ao ouvido o impossível,
Nesta noite de luar que abriga
Minha alma só e tão disponível,
Que em teu peito é mendiga
De uma esmola que alimenta
Este pranto, esta ânsia imensa
De tua beleza chora sedenta;
Que mate esta duvida intensa.
Mais não dou, que não tenho!
Queria dar o que não sou,
Até dei tudo o que contenho
Não deslindo o que faltou.
Será a dúvida de um medo?
Um fogo que não queima!
Ou o feitiço de um bruxedo,
Que nos rouba a guloseima?
Pois é doce, é com certeza,
Que se faça a prova receosa,
Nuns lábios com tal firmeza,
Nessa tua alma tão curiosa
Evasiva, que não quer saber
O que tem alma minha a dar
É o desassossego do querer
Beijar, gostar, exultar e amar.

Chega?! Ou queres mais?!
Destes devaneios mentais!...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Poema a uma amiga dando os parabéns

A uma amiga que pede
Não tenho como negar
E logo o meu lado cede
Pois vai a alma versejar


Versa a verso a bailar
E a estrofe a cantar
Do desejo de dizer,
É um amigo a escrever


Mas vai pobre o poema
Para o que quero versar
Já imenso é o fonema
Nas notas que felicitar


Parabéns os vão dar
É a tua data especial
Na face vou entregar,
Uma prenda bem real.


(Dedicado a minha amiga Magda)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ai prazer que te negas
Ao calor do delírio carnal
Tornas a existência severa
Enjaulas este pobre animal

Esses olhos que gostam
De mim? – Também

Os teus lábios procuram
O sabor de ninguém

Uma dança de Quimera
Um respirar ofegante
É tudo um gesto de espera
Que dá perdido, distante

Sabes que não?
Sim! Sabes que dei
Envolto em cetim no coração
Suave, ai como dancei

Mas foi pouco para ter…
Nossas mentes em conexão
Ah, que assim vou dizer:
Que dancei com a solidão!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Escravo de mim

Descobri o escravo prisioneiro
Num tempo incerto que corre
Não pára! É firme e derradeiro.
Vou saber por fim quem morre?


Ó escravo, ó tempo, ó vida
Qual de vós o mais atado,
A uma existência arrependida
Para sempre enclausurado


Vida que escravizas impávida
Contundo presa estas ao correr
És escrava até à hora marcada
Num corpo que há-de morrer


És tu ó eloquente amor,
O agrilhoado penitente
Que chora preso à dor?
Livre, não estás certamente.


Sou eu! Ai, que sou eu
O escravo; sou Escravo!
Qual de vós me enlouqueceu?
Que vivo, a própria campa cavo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Amigo vinho

Nessa noite que vivemos
As palavras que chorei
Feridas aos teus ouvidos
Pela dor que confessei

Nessa noite que vivemos
As palavras que chorei
Do livro que nós abrimos
Com um fim que não gostei

Nessa noite que saímos
As palavras que chorei
e disse como eram loucos
Os momentos que lembrei

Esta noite vou sozinho
Nas palavras que recordo
Confesso a ti amigo vinho:
Deste amor já não acordo!...